A experiência de estágio, ainda que possa ocorrer numa diversidade de contextos mais ou menos conhecidos previamente, exige que o aluno a finalizar o Mestrado Integrado em Psicologia desenvolva e se adapte a um novo papel e uma nova identidade: a de profissional de psicologia.
Existem um conjunto de tarefas e desafios que o ano de estágio exige: lidar com a organização e logística de apoio aos estágios por parte da universidade e das instituições que os acolhem; articular-se com os seus supervisores; desenvolver competências relacionadas com a intervenção psicológica, mas também competências sociais que lhes permitam a colaboração com outros profissionais.
Na prática trata-se de:

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Competências específicas da prática psicológica (e.g. competências de atendimento e de escuta, conceptualização de casos, competências de intervenção psicológica...);
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Competências institucionais (e.g. compreensão da orgânica e complexidade dos contextos, capacidade de comunicação com outros profissionais, capacidade de trabalho em equipa…); e
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Competências transversais (e.g. espírito de iniciativa, competências de planificação, criatividade, competências de gestão de tempo e de informação, consciência ética, entre outros).
Estas novas tarefas implicam a integração dos conhecimentos assegurados durante os primeiros 4 anos de formação, mas também uma capacidade de pesquisa e aprendizagem autónoma para fazer face às múltiplas tarefas que o estágio exige. É, por isso, também uma época em que se questiona a qualidade e pertinência da formação assegurada ao longo da formação predominantemente teórica e se tem mais consciência das limitações, o que implica pensar sobre as necessidades de formação posterior.
Ainda que o balanço acabe por ser, quase sempre, positivo, a vontade de desistir pode parecer atraente em fases de maior trabalho e tensão, ou quando as dúvidas sobre as próprias capacidades se tornam mais intensas.
No final os ganhos deverão ser não só uma maior capacidade de avaliar, conceptualizar e intervir, como ter desenvolvido competências pessoais que assegurem um sentido de responsabilidade, maturidade, autonomia e flexibilidade, bem como um maior sentido crítico. Se isso acontecer, o estágio terá valido a pena!
Ângela Maia
Coordenadora do GPS